Boas práticas na GCP

Boas práticas na GCP para organizar projetos, controlar custos, aplicar IAM mínimo e versionar infra. Comece no dia um e evite surpresas.

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Danrley Pereira
Boas práticas na GCP

Todo projeto na GCP começa limpo e, uns seis meses depois, vira um amontoado de recursos que ninguém sabe de onde vieram nem quem paga a conta. Dá pra evitar isso com meia dúzia de decisões tomadas cedo.

Ilustrar a bagunça inicial de um projeto de nuvem virando ordem, dando o tom do artigo.
Ilustrar a bagunça inicial de um projeto de nuvem virando ordem, dando o tom do artigo.

Organize a casa antes de escalar

Representar a hierarquia de organização e billing por projeto e ambiente.
Representar a hierarquia de organização e billing por projeto e ambiente.

Antes de subir a primeira VM, pense na hierarquia: Organization no topo, Folders por área ou ambiente e Projects como unidade de isolamento. Um projeto por ambiente (dev, staging, prod) é o mínimo civilizado — quota, IAM e billing ficam separados de graça.

Amarre cada projeto a um Billing Account e coloque labels de time e centro de custo em tudo. Sem labels, o relatório de custo é um borrão. Com labels, você responde "quanto o time X gastou este mês" em trinta segundos.

IAM: o mínimo necessário, sempre

Reforçar a ideia de menor privilégio com chaves e cadeados restritos.
Reforçar a ideia de menor privilégio com chaves e cadeados restritos.

O pecado clássico é dar Editor pra todo mundo porque "é mais rápido". É rápido até alguém apagar um bucket de produção. Comece pelos papéis predefinidos mais estreitos e só suba o nível quando realmente doer.

Use Service Accounts por carga de trabalho, nunca a default do projeto. Evite baixar chaves JSON — prefira Workload Identity Federation e impersonation, que não deixam segredo circulando por aí. E revise os bindings de tempos em tempos: o Policy Analyzer mostra quem pode fazer o quê antes que isso vire notícia ruim.

Prefira o gerenciado ao "eu que administro"

GCP não é aluguel de VM. Toda vez que você sobe uma máquina pra rodar um Postgres na mão, você assumiu backup, patch, alta disponibilidade e plantão de madrugada. Cloud SQL, Pub/Sub, Cloud Run e BigQuery existem justamente pra você não fazer isso.

O preço do gerenciado às vezes assusta no papel, mas ele some quando você soma as horas de engenharia que uma VM crua consome. Guarde o Compute Engine pro que realmente não cabe num serviço gerenciado — e não pro que dá preguiça de migrar.

Custo não é surpresa de fim do mês

Crie Budgets com alerta em 50%, 90% e 100%, mandando pra e-mail e pra um tópico Pub/Sub. Não impede o gasto, mas te avisa antes do susto na fatura. E ative os relatórios de custo usando aqueles labels que você definiu lá no começo.

Olhe as Recommendations sem preguiça: idle VMs, discos órfãos, committed use discounts. É dinheiro parado em cima da mesa. Some a isso uma política de retenção — log e storage esquecidos são a assinatura mais silenciosa da nuvem.

Se você não vê, você não controla

Cloud Logging e Cloud Monitoring já vêm ligados; o erro é nunca olhar pra eles. Monte dashboards do que importa (latência, taxa de erro, saturação) e alertas com política de notificação de verdade — não um gráfico bonito que ninguém abre.

Defina uma retenção de log consciente, porque nem tudo precisa viver 400 dias. E use log-based metrics pra transformar aquela linha de erro recorrente em um alerta acionável, antes que o cliente te avise do problema.

Clicou uma vez? Então versione para sempre

Configurou no console pra testar? Ótimo, aprendeu como funciona. Agora joga fora e refaz em Terraform. Recurso criado no clique é recurso que ninguém consegue recriar depois — e que vira o clássico "não mexe que tá funcionando".

Com infraestrutura em código você ganha revisão, histórico e reprodutibilidade. De bônus, metade dos deslizes de IAM e billing aparece no diff do pull request, bem antes de chegar em produção.

Boa prática em GCP não é decoreba de serviço, é hábito: organiza, restringe, delega pro gerenciado, vigia o custo e versiona tudo. Faça isso desde o dia um e o seu eu de daqui a seis meses vai te mandar um obrigado.

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