C, Clean Architecture e IA na QA: os workshops técnicos da trilha DW Corp no CPBR17

Na CPBR17, DW Corp e SCCB uniram C, Clean Architecture e IA na QA em workshops práticos sobre fundamentos, arquitetura e automação de testes.

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Polyana Cunha
C, Clean Architecture e IA na QA: os workshops técnicos da trilha DW Corp no CPBR17

Na Campus Party Brasil 2025 (CPBR17), na Arena BRB Mané Garrincha em Brasília, a DW Corp e a Software Craftsmanship Community Brasília (SCCB) não levaram apenas palestras avulsas — montaram uma trilha inteira com uma intenção clara: mostrar que carreira técnica sólida se constrói em camadas. Do metal ao robô, três workshops dessa trilha se complementam de um jeito bonito. Este texto costura os três.

Uma trilha técnica com propósito

Muita gente entra na programação pela camada de cima — frameworks, telas, deploy — e nunca desce até os alicerces. A aposta da trilha foi justamente o caminho completo: entender como a máquina funciona por dentro (C), como organizar o código para durar (Clean Architecture) e como garantir que ele continue funcionando com ajuda de IA (QA). São três altitudes diferentes do mesmo ofício.

Desvendando o C: entender a máquina por dentro

O workshop "Desvendando o C: Menos mistério, mais código", conduzido por Danrley Pereira, Gabriel Oliveira Faria e Polyana Cunha, foi um mergulho nos fundamentos. C é uma linguagem que não esconde a máquina de você — e é exatamente aí que está seu valor didático.

O destaque foi a gerência manual de memória. Em linguagens de alto nível, alocar e liberar memória acontece nos bastidores; em C, isso é responsabilidade sua. Entender alocação, ponteiros e tipos não é nostalgia acadêmica: é o que faz você compreender por que um programa vaza memória, por que uma estrutura de dados é mais rápida que outra, ou o que realmente acontece quando você passa um valor para uma função. Quem entende C carrega essa intuição para qualquer outra linguagem.

Desmistificando a Clean Architecture: organizar para durar

Se o C ensina o que acontece por baixo, a "Desmistificando a Clean Architecture", com Gabriel Faria e Polyana Cunha, ensina como organizar o que fica por cima. A sessão desfez a fama de complexidade que ronda o tema e foi ao coração da ideia: separar responsabilidades em camadas e controlar o fluxo de dependências.

A regra central é que as dependências apontam para dentro — as regras de negócio, que são o coração do sistema, não devem depender de detalhes como banco de dados, framework ou interface. A dupla comparou abordagens como MVC, Hexagonal e Clean, mostrando que todas perseguem o mesmo objetivo: código modular, testável e escalável. O ganho prático é direto — quando as camadas estão bem separadas, trocar um banco, testar uma regra isoladamente ou crescer o sistema deixa de ser um pesadelo.

De Bugs a Bots: IA a serviço da qualidade

O terceiro pilar olhou para frente. Em "De Bugs a Bots: IA revolucionando a Qualidade de Software", Aulus Diniz, Joseph Felipe e Lucas Dórea mostraram como a inteligência artificial está mudando a rotina de QA.

O recado não foi que a IA substitui o profissional de qualidade, e sim que ela amplia seu alcance: gerar cenários de teste, apoiar a análise de falhas, acelerar a cobertura e liberar o time para pensar nos casos realmente difíceis. Vindo de quem tem história em qualidade de sistemas críticos, o tom foi prático e pé no chão: a IA é uma alavanca poderosa, mas o julgamento sobre o que importa testar continua humano.

O fio que une os três

Vistos juntos, os três workshops contam uma única história. O C dá a base — você entende a máquina. A Clean Architecture dá a estrutura — você organiza o crescimento. A IA na QA dá a garantia — você mantém tudo funcionando enquanto evolui. Um bom engenheiro não escolhe uma dessas camadas; ele transita entre elas conforme o problema pede.

Essa é a filosofia que a DW Corp e a SCCB levaram à CPBR17, e que sustenta o programa de formação e mentoria da comunidade: fundamentos fortes, arquitetura consciente e qualidade contínua. Não é sobre dominar a moda do momento, e sim sobre construir a base que permite acompanhar qualquer moda que vier. Foi essa base, camada por camada, que a trilha técnica quis entregar a quem passou pelo palco em Brasília.

Aulus Diniz, Joseph Felipe e Lucas Dórea diante do palco após a palestra de QA e IA no CPBR17
Aulus Diniz, Joseph Felipe e Lucas Dórea diante do palco após a palestra de QA e IA no CPBR17

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