LabTech, a fábrica de software da UDF

LabTech fábrica de software da UDF: squads de estudantes entregando sistemas reais, testes BDD e implantação em cluster — aprenda fazendo.

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Danrley Pereira
LabTech, a fábrica de software da UDF

Tem um tipo de projeto de faculdade que todo mundo conhece: aquele que roda uma vez na apresentação, tira nota e some num pen drive. A LabTech nasceu para ser o oposto disso. Ali, o código que os estudantes escrevem sobe para um cluster, conversa com outros serviços e roda de verdade — do jeito que roda numa empresa.

Imagem de capa/abertura que traduz a ideia de uma fábrica de software dentro da universidade — estudantes em squad construindo sistemas reais que vão para produção.
Imagem de capa/abertura que traduz a ideia de uma fábrica de software dentro da universidade — estudantes em squad construindo sistemas reais que vão para produção.

Uma fábrica de software dentro da universidade

A LabTech é a fábrica de software ligada à UDF, o centro universitário de Brasília. A ideia é simples de dizer e difícil de fazer: colocar estudantes para trabalhar em squads reais, construindo sistemas reais. Nada de exercício descartável. Cada turma entra numa CoOp — uma espécie de cooperativa de desenvolvimento, identificada por um código como 2025-2-Squad-01 — e assume um produto de ponta a ponta.

O acesso à plataforma é restrito a e-mails @udf.edu.br e a autenticação é passwordless, via Magic Link: você recebe um link, clica e entra. Um detalhe pequeno que já ensina uma lição grande — segurança e experiência de login são decisões de engenharia, não enfeite.

Squads que entregam sistemas de verdade

O que sai dali? Sistemas que uma instituição realmente usaria. Um serviço de alocação de professores. Uma plataforma integrada de gestão de eventos. E, para fechar a conta da qualidade, uma suíte de automação de testes em BDD — Python com Selenium e Behave, no padrão Page Object — cobrindo a SPA em React.

Repare no detalhe: não é só "fazer a tela funcionar". É fazer a tela e, depois, escrever o teste que garante que ela vai continuar funcionando amanhã. Esse é o pulo do gato entre um trabalho de faculdade e um produto.

A arquitetura por trás dos projetos

Por baixo, a LabTech é deliberadamente poliglota. Convivem serviços em Java, Python e JavaScript, com entidades de domínio compartilhadas e um design orientado a eventos. As APIs falam GraphQL e REST. Os dados moram no MongoDB, com Redis fazendo cache. Tudo empacotado em Docker e implantado num cluster.

Pode parecer excesso de sopa de letrinhas, mas há um motivo: é exatamente esse o cenário que o estudante vai encontrar no mercado. Microsserviços que precisam se entender, linguagens diferentes no mesmo sistema, cache para não derrubar o banco. Aprender isso na base do "aconteceu no projeto" vale mais do que qualquer slide.

Método: edital, diário de bordo e pontos

O que impede tudo isso de virar bagunça é o método. A entrada acontece por um edital formal, com regras claras. Dentro das squads, os alunos-gerentes mantêm um diário de bordo padronizado, com registro obrigatório das reuniões — a memória viva de cada decisão.

E tem um sistema de pontos por atividade. Não é gamificação de brincadeira: bater uma pontuação mínima é o que condiciona ganhar o certificado e/ou o crédito de estágio obrigatório. Ou seja, a entrega tem peso acadêmico real. Você não está "ajudando num projeto"; está cumprindo um percurso com começo, meio e comprovação.

Quando a própria fábrica vira objeto de pesquisa

A parte mais bonita talvez seja essa: a LabTech não só constrói software, ela estuda o próprio modelo de construir software. Existe uma revisão sistemática de literatura sobre fábricas de software — o time olhando para o espelho com método científico, perguntando o que funciona e por quê.

E a pesquisa transborda em TCCs concretos. Um deles é um projeto de RAG que faz scraping de conteúdo jurídico do STF com Scrapy e Playwright, para depois responder perguntas em cima daquele material. Do edital ao RAG, o mesmo estudante percorre o caminho inteiro: engenharia, produto e pesquisa.

O que fica

A LabTech é, no fundo, uma ponte. De um lado, a universidade e o tempo de aprender errando. Do outro, a indústria e a exigência de entregar. No meio, squads de estudantes escrevendo código que roda, testando o que escrevem e documentando como decidiram.

Não é simulação. É a coisa real, em escala de gente que ainda está aprendendo — que é, no fim das contas, a melhor hora para construir de verdade.

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